Federação Portuguesa de Bilhar

Historial

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Segundo se julga saber, as primeiras mesas de bilhar (correspondentes às actuais mesas de carambola) terão aparecido em França em 1469. Em 1475 Luís XI concede as primeiras licenças para a exploração de salas de bilhar. Em 1516 e 1560 surgem as primeiras mesas de bilhar em Espanha e Inglaterra, respectivamente.

Em 1827 o francês Mingaud criou o processo do cabedal na ponteira do taco.

Em 1854 o americano Phelan inventou a tabela de borracha, que influiu de forma decisiva na evolução da técnica do jogo.

O primeiro encontro de que a história desportiva faz menção foi disputada em 1855 em S. Francisco da Califórnia, entre o americano Michel Phelan e o francês Damon, em três partidas de 100 carambolas. Damon ganhou a primeira com uma diferença de 6 carambolas e perdeu as outras duas por 3 e por 5 carambolas.

25 anos mais tarde, em Paris, foi disputado um jogo entre o francês Vignaux e o americano Slosson a 4.000 carambolas dividido em partidas de 800.
Vignaux ganhou, tendo efectuado uma série de 1531 carambolas. Slosson fez 3118 carambolas com uma série de 1103.

A facilidade de colocar as bolas em série, dando origem às grandes tacadas, deu margem a que fosse o próprio Vignaux a propor o corte dos 4 ângulos do bilhar.

É evidente que todos os pormenores, de confirmação mais ou menos segura, revestem-se, no plano desportivo, de importância reduzida. Historicamente será curioso acentuar que o bilhar de competição (inicialmente apenas com a carambola) nasce em Portugal em 1930, com a criação, no Porto, da Federação Portuguesa dos Amadores de Bilhar que, em 1932 organizou, em Espinho, o III Campeonato do Mundo de Bilhar Livre. A representação Portuguesa coube a Alfredo Ferraz e a Portugal da Mata. A prova foi ganha pelo espanhol Butron que, com uma série de 500 carambolas iguala o recorde do mundo.

Só em 1936 nasce, em Lisboa, a Associação Portuguesa de Bilhar. Mas o nascimento destes organismos decorre tão somente do facto de existir um bilharista de extraordinários recursos - Alfredo Ferraz - que disputa competições internacionais, inscrito pela Federação de Espanha, antes de existirem em Portugal provas oficiais.


Alfredo Ferraz - Campeão do Mundo em Bilhar

Alfredo Ferraz foi um caso excepcional, um autodidacta que, mercê do seu invulgar talento, chegou a campeão do mundo em partida livre - o primeiro desportista português a conquistar um título mundial - a vice-campeão do mundo a uma tabela, modalidade então desconhecida em Portugal, a vice-campeão da Europa ao Quadro 47/2, sendo, ainda, o primeiro vencedor de uma prova de bilhar artístico, de âmbito internacional, quando a modalidade se designava por "Fantasia Clássica". Ferraz, pela sua projecção internacional, acabou por ser o responsável pela organização do bilhar desportivo português.


Só em 1958 o bilhar europeu passou a dispor de uma organização, a CEB - Confederação Europeia de Bilhar - englobando 15 Federações, entre as quais a Federação Portuguesa de Bilhar. Um ano mais tarde cria-se a UMB - União Mundial de Bilhar - que vai alargando a sua zona de influência a quase todo o mundo.

A modalidade de bilhar abrange três grandes sectores: a Carambola, o Pool e o Snooker.

A carambola, desde 1936, e o Pool, desde 1990, estão integrados na Federação Portuguesa de Bilhar, com os seus calendários regulares de provas oficiais em cada época.

 

Fig. 1 Bilhar Carambola

A carambola (Fig. 1) é disputada em mais de uma modalidade: a partida livre, o quadro 47/2, o quadro 71/2, uma tabela, três tabelas e bilhar artístico. Nas três primeiras modalidades - chamadas modalidades de série - e em uma tabela, assinala-se um declínio de jogadores e de competições, talvez por nelas os limites de perfeição já terem sido atingidos. O bilhar artístico que internacionalmente se desenvolveu com regularidade, não tem praticantes em Portugal.
Mas a modalidade rainha é sem dúvida as três tabelas, com centenas de milhares de praticantes, não obstante tratar-se de um jogo de elevado coeficiente de dificuldade, exigindo - ao mais alto nível - um complexo somatório de atributos, que vão desde a capacidade técnica de execução, à exigência de uma concentração absoluta, de um perfeito controle do sistema nervoso, de uma resistência física elevada.


Também no Pool (Fig. 2) existem três variantes distintas, o Pool Bola 9, o Pool Bola 8 e o Pool 14/1, estando todas as três inteiramente activadas no nosso país. O Pool suscita um particular interesse por parte das pessoas em todo o mundo, sendo em alguns países considerado como um fenómeno desportivo; isto é fortemente explicado pelo elevado grau de dinamismo técnico e estratégico a que o jogo obriga durante o seu desenrolar, assim como pelas regras inerentes à modalidade que contribuem para que o Pool seja um jogo bastante animado e contagiante.

 

Fig. 2 Bilhar Pool (Americano)

O bilhar carambola pratica-se oficialmente em todo o mundo sob a égide da União Mundial de Bilhar, de que foi Presidente até Fevereiro de 1997, o então Presidente da Federação Portuguesa de Bilhar, Dr. Henrique Marques, tendo apenas deixado de o ser devido ao seu falecimento. Estão nele filiadas 45 federações nacionais, pertencentes à Europa, América Norte e Sul, Ásia e África. As Federações Europeias estão agrupadas na Confederação Europeia de Bilhar e as Federações Americanas na Confederação Pan-Americana de Bilhar.

Em 1997, os representantes do bilhar amador UMB/CEB entraram em acordo com os representantes do bilhar profissional BWA. Quer isto dizer que passa a existir a unificação no mundo do bilhar.

 


Fig. 3 Bilhar Snooker

O Snooker (Fig. 3) não é praticado oficialmente em Portugal e praticamente são inexistentes estas mesas de jogo. (Esta fantástica e exigente variante do bilhar tem a sua mais forte expressão no Reino Unido, onde é considerado um dos principais desportos e também onde nasceu.)
A carambola, desde 1936, o Pool, desde 1990, e o Snooker Ibérico desde 2000, estão integrados na Federação Portuguesa de Bilhar, com os seus calendários regulares de provas oficiais em cada época.


O bilhar mais conhecido em Portugal que é praticado em sedes de Clubes, Cafés, Salões de Jogos e casas particulares foi em 2000 homologado pela FPB com o nome de Snooker Ibérico e é hoje praticado já por milhares de atletas a nível Nacional, com os seus calendários regulares de provas oficiais em cada época.

Depois de um estudo tendente à uniformização das regras, este atractivo jogo é das variantes mais exigentes.

 

Fig. 4 Bilhar Snooker Ibérico


No Pool o organismo supremo é a WPA (World Pool Association) ramificada em várias confederações continentais. Existe ainda outra organização a WCBS (World Confederation Billiard Sports) que abrange as três vertentes do bilhar - carambola, snooker e pool - e cujo objectivo da sua constituição visa dar a resposta a uma exigência do Comité Olímpico Internacional, no sentido de ser concretizado o reconhecimento do bilhar como modalidade olímpica.

Em Julho de 1996, em Atlanta, o Comité Olímpico Internacional informa que a WCBS foi reconhecida, provisoriamente, como Federação integrante do COI.

Em Fevereiro de 1998, em Nagano, Japão, o COI reconheceu definitivamente o bilhar como modalidade olímpica, abrindo, assim, a possibilidade de participar nos Jogos olímpicos de 2004, em Atenas.

O reconhecimento do bilhar como modalidade olímpica representa a sua consagração definitiva em termos desportivos e traduz a projecção a que guindou no desporto internacional.

Actualizado em ( Domingo, 21 Junho 2015 15:48 )